sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Cegueira

A beleza macabra do que me machuca, me faz ter um apreço fora do comum pela dor.
Cada vez que você faz meu coração sangrar, sinto desabrochar em mim uma inspiração divina.
Me vejo morrendo, sinto o sangue escoar pelo meu corpo doente de amor, mas quanto mais chego perto da morte, mais me sinto estranhamente viva.
Viva porque me sinto capaz de traduzir toda a confusão diabólica que você plantou em mim desde que cruzou meu caminho.
Confusão essa que toma conta de mim nesse momento em que não sei se me deixo morrer de uma vez pra acabar com tudo isso e renascer, ou se continuo a me alimentar desse drama que chega a ser poético e que me encanta de tal maneira que me cega.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Perda

A perda é a forma mais presente de ser ter alguém ou algo.
E não é por não ter se dado a importância devida,
é porque é quando perdemos que nos damos conta
que o que era normal, rotineiro, de praxe não vai mais acontecer.
E ai, o que perdemos nos ronda, nos segue nos perturba,
como se estivesse do nosso lado, como se convivesse conosco,
mais do que convivemos com nós mesmos.
E dói.
Dói porque ao contrário do que seria correto, quando perdemos não conseguimos perder literalmente.
A cada perda não perdemos, a cada perda nós ganhamos,
ganhamos mágoas, remorso, saudade, aprendizado, enfim, sempre recebemos algo
que sempre vai nos lembrar que algo se foi.
Fazendo lembrar que a presença que está se fazendo constante é apenas a fantasia
de tentar ter de volta o que se foi, ou de seguir nosso caminho levando a essência do que um dia nos encantou e foi embora.